Maria olhava em seu redor e sorria. O seus olhos iluminados mostravam a sua felicidade. Maria gostava tanto de ver a sua casa vestida de Natal!
O pinheiro de Natal com as luzes a piscar e, no cimo, a estrela reluzente para representar a anunciação do nascimento de Cristo. O presépio, com as figurinhas de barro pintadas à mão que era dos seus tempos de criança. As meias penduradas na chaminé e os presentes para todos... A mesa posta a preceito! A alva toalha de linho com entremeios de renda feita pela sua avó. A coroa do Advento. O serviço de Natal... enfim, tudo preparado!
Maria estava sentada, perto da lareira, enquanto contemplava o seu Natal. Estava aconchegada numa mantinha com o seu álbum de fotografias no regaço e à medida que ia vendo as fotos, ora sorria, ora soltava uma gargalhada, porque se lembrava com exatidão de cada momento... de cada Natal!
Sim! Antes o Natal era diferente... Primeiro os filhos pequenos, os pais e os sogros todos em redor daquela mesa feliz a conversar e a rir enquanto degustavam a ceia, cuidadosamente preparada por ela. Depois juntaram-se as noras e os genros e mais tarde os netos. Vinham sempre passar o Natal à terra, como se diz na cidade!
Todos participavam nas tarefas. Preparava-se o bacalhau para a consoada, faziam-se os doces tradicionais do Natal e temperava-se o cabrito para o almoço de Natal. As crianças brincavam e as suas gargalhadas ecoavam pela casa. Parecia que ainda as conseguia ouvir!
Mas depois... depois o marido partiu... os netos cresceram... e os filhos tinham cada vez menos tempo para vir passar o Natal à aldeia, porque isto de viver na cidade não é fácil!.
Mas Maria, todos os anos, mantinha a esperança de que, à última hora, eles conseguissem vir só para lhe fazer uma surpresa e como não queria ser apanhada desprevenida, preparava tudo com muito zelo para os receber. Quando tudo estava meticulosamente preparado, sentava-se na companhia do seu álbum de recordações de tantos Natais felizes e esperava...
Mas não! A surpresa não se realizava e Maria prometia a si própria que tinha de viver para esperar pelo Natal seguinte.
E assim, tinha passado os seus últimos Natais. À espera! À espera, daqueles por quem o amor lhe preenchia o coração! À espera dos seus muito amados filhos e netos. À espera da sua família!
A noite corria e de repente, ouviu as doze badaladas do sino da igreja, mas os seus filhos e netos não chegaram...
Maria disse a si própria que teria de esperar pelo próximo Natal para ver o seu desejo realizado.
Contemplou uma vez mais a sua sala, recostou-se no sofá, fechou suavemente os olhos e sorriu, pois no seu coração só existia amor e esperança!

Gosto que este conto tenha ido para um lado que é esquecido por nós, filhos, que, lá está, temos a nossa vida e não temos um segundo para olhar para os nossos pais (de um modo geral). Um dia os olhos serão fechados e não mais abrirão e aí vamos perceber a falta. O que mais me dói é que daqui a uns anos, muitos ainda, assim espero, serei eu o pai de um filho que não terá tempo para sair da sua vida e vir passar o natal comigo. E isso dói-me.
ResponderEliminarFeliz Natal e muitos parabéns pela narrativa deste conto
Muito obrigada pelas generosas palavras.
ResponderEliminarDe facto na azafama da vida, são muitos os pais que vivem na solidão mas guardando sempre a esperança de ter um pouco de tempo com os seus filhos que tanto amam e por quem muitas vezes fizeram tantos sacrifícios.
Grata por todas as suas palavras! Este é o primeiro Natal que não tenho o meu pai presente e não tenho este tipo de arrependimento pois passei todos os natais sem excepção com ele. Ainda assim, ele faz-me tanta falta que este ano decidi que não tenho Natal.
Um Bom Natal para si e para sua família!
FELIZ NATAL, doce Ana Doce
ResponderEliminarbeijos e um abraço fraterno
Impossível não ficar com um nó na garganta. Quantas pessoas não se reveem neste conto de Natal. Parabéns pela iniciativa e por este contributo. Beijinho grande
ResponderEliminarMuito obrigada querida Ana! Agradeço e retribuo os votos de um Feliz Natal!
ResponderEliminarBeijinhos
Muito obrigada Romi.
ResponderEliminarInfelizmente também penso que este é o retrato do Natal de muitas pessoas!
Beijinhos e tudo de bom!
Tantas realidades...
ResponderEliminarUm Feliz Natal, querida Ana e um abraço apertado
Natal é mesmo Amor!
Um abraço apertadinho também para ti minha querida Daniela!
ResponderEliminarBeijinhos e um Feliz Natal com muita paz, amor e saúde!
Obrigada Ana por este belo conto. Não terá o final feliz que todos desejariamos, mas sem dúvida, um final que existirá em muitas casas.
ResponderEliminarVou juntar este conto aos outros, e desejar-te um feliz Natal com paz e amor.
Feliz Natal![º<:}}}]
ResponderEliminarOlá Ana
ResponderEliminarUm Feliz Natal e um beijinho.
Feliz Natal para Ti e para os Teus, Querida Ana!
ResponderEliminarAgradeço e retribuo os votos de um Feliz Natal com muita paz, amor e saúde, querida Zé
ResponderEliminarMuito obrigada Marco!
ResponderEliminarFeliz Natal com muita paz, amor e saúde!
Agradeço e retribuo os votos de um Feliz Natal!
ResponderEliminarMuito obrigada, querida Isabel. Também gosto de finais felizes mas na vida de muitos não existem assim tantos. E este é apenas um dos problemas da sociedade atual, mas é um problema grave. Com uma sociedade cada vez mais envelhecida aumentam os casos de solidão e acho que é bom aproveitar este momento em que as pessoas estão com o coração aberto para as sensibilizar.
ResponderEliminarUma vez mais, bem haja por este desafio e votos de um Feliz Natal com muita paz, amor e saúde!
Um excelente conto a lembrar os que esperam, mas não desesperam!
ResponderEliminarFeliz Natal!
É verdade José! Enquanto há vida, há esperança!
ResponderEliminarUm Feliz Natal para si!
De fato a esperança é sempre a última a desaparecer 🍀
ResponderEliminarTriste a espera de quem tem filhos e netos e eles não se lembra de que o Natal também é para quem os criou.
ResponderEliminarFilho és, pai serás.
A vida às vezes é assim, Maria!
ResponderEliminarBeijinhos!
É verdade e enquanto há vida, há esperança!
ResponderEliminarSorte a da Maria ter um álbum de recordações, que num futuro não tão distante quanto isso as Marias se quiserem recordar alguma coisa terão de ter um computador no regaço.
ResponderEliminarEu tive um álbum que dizia assim: se recordar é viver, guardem neste álbum os momentos felizes das vossas vidas. Mais tarde viverão recordando momentos felizes que o tempo levou.
Um pouco tarde mas como o Natal é sempre que se queira, faço votos de que tenha tido e continue a ter um Natal muito feliz [<<-]
E se for só de calças e camisa, ela, a esperança, eclipsa-se mais rapidamente?
ResponderEliminarDias felizes
Agradeço e retribuo os votos de Boas Festas!
ResponderEliminar