Hoje partilho um Conto de Natal no âmbito dos Desafios da abelha | Conto de Natal 2021, a convite da minha querida Ana de Deus do blog busy as a bee on a rainy day, a quem agradeço a generosidade!
José chegou apressado. Estava cansado, mas feliz com o que tinha preparado para surpreender Benjamim! Só pensava no seu pequenito e em como iria ele reagir à surpresa que lhe tinha preparado. Nos últimos dias, José não tinha conseguido pensar noutra coisa!
Entrou no edifício sob o olhar surpreso e estupefacto de muitos e dirigiu-se ao elevador. Levava consigo um enorme saco. Alguns olhavam-no e sorriam timidamente, outros olhavam-no com curiosidade e estupefação sobre os motivos de estar ali.
Mas José estava alheio ante qualquer desses olhares. Estava focado num objetivo único - Benjamim!
Tudo o queria era levar a magia do Natal até Benjamin e vê-lo sorrir!
Percorreu o corredor apressado e ofegante. Parou na porta com o número 25. Tinha chegado!
Compôs o fato, alinhou as barbas brancas, ergueu um sino na mão e entrou no quarto.
- Ho, Ho, Ho, Ho, Feliz Natal, Benjamim!!! - saudou tocando o sino vezes sem parar.
- Papá!? Estás vestido de Pai Natal!? - Benjamim ria com cara de espanto por ver o seu pai assim vestido.
- É verdade, Benjamim! Hoje sou o Pai Natal e vim de trenó com o Rodolfo! Quero que vivas o Natal! - disse José com um nó na garganta.
- De trenó?? Com o Rodolfo??
- Sim, claro! Estão estacionados bem na frente da janela do teu quarto. Queres vê-los?
- A sério papá!? Quero ver, quero ver, papá! - Benjamim batia palmas de alegria.
O pai pegou nele ao colo com extremo cuidado ante a sua debilidade e levou-o até à janela. Lá fora nevava, mas Benjamim bem conseguia ver o trenó conduzido por uma rena, no estacionamento do hospital. Conseguia até distinguir os sulcos das pegadas do seu pai na neve.
Os seus olhos brilhavam como duas estrelas de Natal! Olhou o pai que tinha os olhos cheios de lágrimas e abraçou-o com ternura.
José estava feliz, apesar do coração doído. Tinha conseguido trazer a magia de Natal até aquele quarto de hospital onde o seu pequenino Benjamim vivia há já alguns meses sem esperança de tornar a casa ou sequer de ver outros natais.
- Papá, és incrível! Serei sempre a tua estrelinha!
Benjamim ajeitou-se no colinho do papá num abraço apertadinho, fechou os olhos e adormeceu para se tornar numa linda e brilhante estrelinha.
Nota: Lamento por este não ser um conto de natal com um final feliz, mas tem um propósito. Trata-se de um simples conto de Natal, escrito com muita humildade porque não sou contista, mas que dedico a todos os pais que passaram por tamanha tragédia e que viram, esta semana, ser aprovado o alargamento do luto parental de 5 para 20 dias, como se fosse possível recuperar da morte de um filho em 20 dias... Como se fosse possível recuperar da morte de um filho!
Não conheço tal dor, mas conheço quem a passou e vive com ela.

bom dia, querida Ana
ResponderEliminarnão peças desculpa por o final não ser feliz, é um conto mágico e belo. muito, muito belo. prestas homenagem a todos os pais e mães que fazem tudo por um sorriso dos filhos, mesmo quando têm o coração apertado.
beijos enormes
Muito obrigada pelas tuas palavras querida Ana!
ResponderEliminarFico feliz que tenhas gostado!
Mais uma vez muito obrigada pelo convite para participar no teu desafio!
Beijinhos e bom domingo!
Muito obrigada!
ResponderEliminarBom domingo!
Está fantástico
ResponderEliminarOhhh! Muito obrigada querida Rute! Fico feliz que tenhas gostado!
ResponderEliminarBom domingo!
O Natal é muito bonito, mas nem sempre é feliz, tantos exemplos disso há por aí. O teu conto fala de um desses exemplos, e foca algo tão importante como a dor da perda de um filho. Adorei, o Natal também é isto, um pai a criar um momento de felicidade ao seu filho mesmo com o coração a doer.
ResponderEliminarVou guardar este conto no rol dos contos de Natal deste ano, mais tarde vais perceber porquê.
Um beijinho, bom domingo.
Muito obrigada pelas tuas palavras querida Isabel!
ResponderEliminarFico muito feliz que tenhas gostado!
Beijinhos e um bom domingo também para ti!
Obrigada pelo o conto!
ResponderEliminarBeijinhos e um Dia Feliz!
Muito obrigada pela visita!
ResponderEliminarBeijinhos e bom domingo!
O final é tocante.
ResponderEliminarUma irmã minha já viveu o seu último Natal e então os meus Pais ainda estavam cá
Bonita homenagem a todos os pais que passaram por essa dor. Conheço algumas pessoas que viveram essa tragédia, infelizmente. Era uma questão de humanidade que esta lei fosse aprovada. Claro que 20 dias não são suficientes mas luto de 5 dias para a perda de um filho era uma vergonha.
ResponderEliminarSeja como fôr, continua a ser um lindo conto de Natal.
A vida tem muita dor, só suavizada pelo amor.
ResponderEliminarBom domingo.
Infelizmente, assim é.
ResponderEliminarMuito obrigada José.
Bom domingo!
Muito obrigada. Fico feliz por ter gostado.
ResponderEliminarConcordo, mas ainda assim não me parece razoável.
Bom domingo!
Deve ter sido muito duro, João. Lamento.
ResponderEliminarBom domingo.
Obrigada e uma boa noite, querida Zé!
ResponderEliminarMuito bom!
ResponderEliminarHá imensos Benjamins e muitos Josés e mães que sofrem está dor de os filhos, crianças, estarem internados e com doenças que não imaginamos.
É injusto as crianças sofrerem
Muito obrigada Maria!
ResponderEliminarSim é uma enorme injustiça para a qual não encontro justificação. Não é justo nem para as crianças nem para os seus pais.
Beijinhos
Enternecedor, apesar de triste.
ResponderEliminarBjs
Beijinhos e bom feriado!
ResponderEliminarBonita homenagem.
ResponderEliminarInfelizmente real... demasiado real.
Obrigado pela partilha.
Infelizmente.
ResponderEliminarMuito obrigada José!
Querida Ana, que bonito conto… fiquei com lágrimas nos olhos. Não imagino o que será essa dor, mas foi bonita a homenagem que fizeste a quem já passou por isso.
ResponderEliminarMuito obrigada, querida Ana!
ResponderEliminarFico muito feliz por teres gostado!
Parabéns, excelente conto, texto muito profundo, muito tocante,,!
ResponderEliminarMuito obrigada pela sua generosidade! Fico feliz que tenha gostado!
ResponderEliminarBom domingo!
Ana, quando me tratam por você ou senhor surge em mim uma mistura de dois sentimentos, ou sou uma pessoa muito importante e não sou, não sou mesmo, ou então já estou “velhinho” também não estou, ainda sou sexagenário e a minha meta para o “velhinho”?. está apontada para os noventa,,, estás “autorizada” a tratar-me como quiseres desde que não seja por você ou Sr.
ResponderEliminarFica bem!
Não foi por mal! [<)] Muito obrigada, Manel! Assim será!
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